Quebra-Cabeça

Às vezes nos sentimos como se estivéssemos quebrados, desencaixados. Como se fôssemos uma peça de um enorme quebra-cabeça, mas sem ter nenhum lugar para se encaixar, nenhum par que complete as curvas e formatos para juntos se tornarem um só. E se queimarmos o quebra cabeça? Transformando tudo em cinzas, uma mistura do preto e do branco, do certo e do errado, do perdido e do encontrado.

Quem disse que precisamos nos encaixar para ser completo? Que precisamos fazer parte do quebra-cabeça? Que precisamos nos moldar para nos encaixar? Eu não quero fazer parte do mesmo desenho que se forma ao encaixar as peças, como uma perfeita utopia, pois a utopia não é real em um mundo onde tudo precisa se encaixar precisamente.

E se eu não quiser me encaixar? E se eu sempre quiser ser essa peça estranha, deformada, que não se encaixa em lugar algum? E se eu gostar de como sou diferente? Não posso gostar de minhas linhas tortas e acha-las perfeitas? Há beleza na imperfeição, assim como há beleza no pôr do sol, como há beleza naquela pequena peça que não encontrou seu lugar.

Eu não quero fazer parte do quebra-cabeça.

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